Reportagem

Vencedores!!!

Crédito

A meta do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) era que o País terminasse os Jogos do Rio na inédita quinta colocação no quadro final de medalhas, superando o sétimo lugar de Londres-2012. Não deu.

Os brasileiros encerram a participação em oitavo lugar, considerando a ordem de ouros conquistados. Por total de medalhas, o País ficou na sexta posição. O desempenho nacional, porém, foi comemorado pelo CPB. Afinal, o País teve um significativo crescimento de 67,4% no número de medalhas em relação à última edição, saltando de 43 para inéditos 72 pódios. Com a maior delegação da história (285 atletas, 103 a mais do que em Londres), o Time Brasil ganhou medalhas em 13 dos 22 esportes – um novo recorde. No Rio, 72% das medalhas (52) foram conqu istadas no atletismo (33) e na natação (19). Trata-se de outro expressivo aumento em relação à Londres-2012 – na Inglaterra, foram 18 e 14, respectivamente. Nos outros 11 esportes em que o Brasil ganhou medalhas, quatro deles foram de forma inédita: canoagem, ciclismo, levantamento de peso e vôlei sentado. “Estamwos extremamente satisfeitos com a campanha nos Jogos”, diz Andrew Parsons, presidente do CPB. “Nada menos do que 93 brasileiros fizeram no Rio as melhores marcas de suas vidas.”

Apesar do avanço em vários esportes, o Brasil caiu uma posição no quadro final de medalhas, indo do sétimo lugar em Londres para o oitavo no Rio. Dois fatores foram fundamentais para isso. O primeiro deles diz respeito ao número baixo de ouros na proporção das medalhas conquistadas (19,4%). Nas últimas três edições (2004, 2008 e 2012), o Brasil encerrou as disputas sempre com mais ouros do que prata e bronze. Em Londres, foram 21 ouros e 14 pratas. Desta vez, porém, o número de medalhas de ouro foi duas vezes menor (14 ouros contra 29 pratas). Esse desempenho está diretamente ligado ao segundo fator que fez com que o Brasil não alcançasse o quinto lugar na classificação final: a grande evolução de chineses e ucranianos, principalmente na natação. Segundo o CPB, outros países, como Austrália e Alemanha, também se beneficiaram com a saída da Rússia, banida da disputa pelo Comitê Paraolímpico Internacional (CPI) pelos casos recentes de dopping. “Fomos surpreendidos com atletas vindo do nada, que nunca disputaram mundiais e ganharam medalhas na natação”, diz Parsons, que também é vice-presidente do CPI.

Entre as medalhas que o Brasil deixou de ganhar, as mais garantidas estavam no atletismo. Nos 100 m rasos, na categoria T11 (para cegos), o País conquistou apenas uma prata no masculino. Em Londres, faturamos cinco das seis medalhas em disputa nessa categoria. Dois medalhões, como Alan Fonteles e Terezinha Guilhermina, deixaram de ganhar ouros tidos como certos. “Alan é um talento puro”, afirma Edílson Rocha, o Tubiba, chefe de missão do Brasil nos Jogos. “Ele tem potencial para voltar e alcançar um bom resultado em Tóquio. Estamos prontos para prepará-lo novamente.”

O desempenho inesperado de alguns dos principais atletas foi compensado com a chegada de novos talentos. Entre eles, Petrucio Ferreira, que levou um ouro e duas pratas, e Verônica Hipólito, uma prata e um bronze, ambos no atletismo. Os dois fazem parte do grupo de 15 atletas brasileiros com menos de 23 anos que conquistaram medalhas. “Quando soubemos que a Paraolimpíada seria no Rio, imaginávamos que haveria aumento de investimento”, diz o chefe da missão. “Pensando no futuro, criamos seleções de jovens. Trabalhamos essa geração para ganhar experiência no Rio e chegar bem em Tóquio. Mas muitos estouraram antes.”

QUEM FOI BEM

A equipe de Futebol 5, medalha de ouro no Rio: desde a estreia do esporte em Atenas-2004, o Brasil venceu todas as edições

A equipe de Futebol 5, medalha de ouro no Rio: desde a estreia do esporte em Atenas-2004, o Brasil venceu todas as edições

Clodoaldo Silva Aos 37 anos, o nadador participou de sua quinta Paraolimpíada e saiu com mais uma medalha para a farta coleção – foi prata no revezamento 4×50 m livres. Ganhador de seis medalhas de ouro e uma de prata em Atenas-2004, três pratas em Sydney-2000 e mais um bronze em Pequim-2008, o atleta potiguar foi homenageado no Rio e escolhido para acender a pira olímpica na cerimônia de abertura.

Daniel Dias O nadador ganhou quatro medalhas de ouro, três de prata e duas de bronze e foi o atleta com mais pódios na Paraolimpíada de 2016, ao lado do ucraniano Ievgenii Bogodaiko, também da natação. Com as nove medalhas, Daniel se tornou o recordista de medalhas na história da natação paraolímpica (24), superando o australiano Matthew Cowdrey.

Felipe Gomes Ouro no revezamento 4×100 m, o velocista de 30 anos faturou também a prata nos 100 m, 200 m e 400 m do atletismo. Em Londres, o carioca conquistou o ouro nos 200 m e o bronze nos 100 m.

Shirlene Coelho Aos 35 anos, a goiana manteve seu título olímpico e foi ouro novamente no lançamento de dardo. A atleta levou ainda a prata no lançamento de disco e foi a quarta colocada no arremesso de peso.

Joana Maria Silva Aos 29 anos, a nadadora participou de seis provas e foi finalista em todas. Levou a prata no revezamento 4×50 m livre e no 50 m livre, e o bronze nos 100 m livre.

Phelipe Rodrigues Dono de três pratas em 2008 e 2012, o pernambucano de 25 anos bateu na trave novamente e ganhou mais duas pratas (50 m livre e revezamento 4×100 m livre) e dois bronzes (nos 100 m livre e no revezamento 4×100 m medley).

Silvania Costa de Oliveira Ouro no salto em distância, na categoria T11, a atleta de 29 anos foi um dos destaques entre as mulheres no atletismo.

Futebol 5 Desde a estreia do esporte em Atenas-2004, o Brasil venceu todas as edições. No Rio, chegou ao tetracampeonato e confirmou seu grande favoritismo. Destaque para Ricardinho, Jefinho, Damião e Cássio, remanescentes de 2012.

Claudiney Santos Prata em Londres 2012, o paulista de 36 anos conquistou o ouro no lançamento de disco.

Equipe de Bocha BC3 Antonio Leme, Evelyn de Oliveira e Evani Soares ganharam o ouro por equipe, levando o Brasil ao pódio pela primeira vez na categoria BC3.

Equipe de Bocha BC4 Eliseu dos Santos, Dirceu Pinto e Marcelo dos Santos chegaram ao terceiro pódio consecutivo em Jogos – foram ouro em Pequim-2008 e Londres-2012 e prata no Rio.

Lauro Chaman O paulista conquistou duas medalhas no ciclismo, inéditas para o país na modalidade: a prata na prova de estrada C5 e o bronze na prova contra o relógio.

Sérgio OliVA O cavaleiro voltou a colocar o Brasil no pódio no hipismo e ganhou dois bronzes nas categorias Adestramento grau IA e Estilo Livre grau IA, repetindo o feito de Marcos Alves, o Joca, que ganhou dois bronzes em Pequim-2008.

Antônio Tenório Em sua sexta Paraolimpíada, o judoca conquistou sua sexta medalha. Desta vez, foi prata na prova até 100 kg. Aos 45 anos, o paulista tem em seu cartel quatro medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze.

QUEM SUPEROU AS EXPECTATIVAS

Caio Ribeiro O carioca deu ao Brasil a primeira medalha na canoagem, esporte que estreou nos Jogos Paraolímpicos, ficando com o bronze na classe KL3

Caio Ribeiro O carioca deu ao Brasil a primeira medalha na canoagem, esporte que estreou nos Jogos Paraolímpicos, ficando com o bronze na classe KL3

Petrucio Ferreira dos Santos Aos 19 anos, o velocista ganhou o ouro nos 100 m e a prata nos 400 m e no revezamento 4×100 m do atletismo.

Verônica Hipólito Mais uma representante da nova geração, a paulista de 20 anos foi prata nos 100 m e bronze nos 400 m do atletismo e ainda chegou à final no salto em distância.

Talisson Glock Aos 21 anos, disputou oito provas da natação. Ganhou a prata no revezamento 4×50 m livre e o bronze nos 200 m medley. Foi ainda quarto nas finais dos 100 m costas e nos 400 m livre.

Ricardo Costa de Oliveira Aos 34 anos, ganhou seu primeiro ouro em Paraolimpíadas, no salto em distância categoria T11.

Daniel Martins Aos 20 anos, o atleta ganhou o ouro em sua única prova disputada, os 400 m rasos na categoria T20.

Alessandro Rodrigo Silva Foi ouro no lançamento de disco, conquistando sua primeira medalha aos 32 anos.

Odair Santos Aos 35 anos, o fundista da classe T11 ganhou a prata nos 5 000 m, sua quarta em Paraolimpíadas. Tem ainda mais quatro de bronze.

Mateus Evangelista Cardoso Aos 22 anos, ganhou a prata no salto em distância e foi o quarto nos 100 m do atletismo.

Caio Ribeiro O carioca deu ao Brasil a primeira medalha na canoagem, esporte que estreou nos Jogos Paraolímpicos, ficando com o bronze na classe KL3.

Equipe feminina de vôlei sentado O Brasil conquistou sua primeira medalha na modalidade. Depois de passar invicta na primeira fase, a equipe feminina perdeu para os Estados Unidos na semifinal, mas depois ganhou o bronze sobre a Ucrânia.

Evânio Rodrigues Na categoria até 88 kg, o baiano levantou 210 kg na barra e ficou com a medalha de prata, a primeira do Brasil no levantamento de peso em Paraolimpíadas.

Goalball O Brasil subiu novamente ao pódio no torneio masculino e ficou com a medalha de bronze. No torneio feminino, alcançou o quarto lugar, a melhor colocação da história.

Tênis de mesa O Brasil conquistou quatro medalhas – recorde do País em uma só edição. Além disso, alcançou medalhas em disputas individuais, com Israel Stroh, prata na Classe 7, e Bruna Alexandre, bronze na Classe 10.

QUEM NÃO BRILHOU

Alan Fonteles Recordista mundial dos 100 m e 200 m e ouro em Londres nos 200 m

Alan Fonteles Recordista mundial dos 100 m e 200 m e ouro em Londres nos 200 m

André Brasil Vencedor de sete ouros e três prata nas duas últimas Paraolimpíadas, o nadador levou apenas duas medalhas para casa no Rio – a prata nos 100 m livre e o bronze nos 100 m borboleta. O carioca de 32 anos chegou à final nos 100 m costas, 50 m livre e 400 m livre.

Terezinha Guilhermina Campeã dos 100 m e 200 m rasos em Londres, a mineira foi desclassificada nas duas finais no Rio após queimar a largada. Grande favorita, ficou apenas com o bronze nos 400 m e a prata no revezamento.

Yohansson do Nascimento Candidato ao ouro nos 200 m e nos 400 m do atletismo, o alagoano ficou apenas com o bronze nos 100 m rasos.

Jovane Guissone Ouro em Londres-2012, quando ganhou a inédita medalha na esgrima, o gaúcho não passou das quartas de final no torneio de espada no Rio.

Futebol de 7 Na despedida da modalidade, que não estará no programa de Tóquio 2020, o Brasil ficou com o bronze, depois de vencer a Holanda na disputa pelo terceiro lugar.

Alan Fonteles Recordista mundial dos 100 m e 200 m e ouro em Londres nos 200 m, depois de derrotar o sul-africano Oscar Pistorius, o brasileiro ganhou apenas a prata no revezamento 4×100 m no Rio.

72,2%  ou 52 das 72 medalhas do Brasil foram conquistadas no atletismo e na natação. As outras 20 medalhas vieram de outros 11 esportes.

ATLETAS COM MAIS MEDALHAS

/Daniel Dias Natação ouro4 prata3 bronze2 total 9

/Felipe Gomes Atletismo ouro1 prata3 bronze0 total 4

/André Brasil Natação ouro0 prata2 bronze2 total 4

/Talisson Glock Natação ouro0 prata2 bronze2 total 4

/Phelipe Rodrigues Natação ouro0 prata2 bronze2 total 4

/Petrucio dos santos Atletismo ouro1 prata2 bronze0 total 3

/Joana Maria Silva Natação ouro0 prata2 bronze1 total 3

ALÉM DAS MEDALHAS

Jogador de rugby em cadeira de rodas: o Brasil jamais ganhou medalha neste esporte

Jogador de rugby em cadeira de rodas: o Brasil jamais ganhou medalha neste esporte

Basquete em cadeira de rodas O Brasil segue sem medalhas na modalidade, mas alcançou seus melhores resultados na história, com o quinto lugar da seleção masculina e o sétimo da feminina.

Esgrima Com oito representantes, o Brasil não conseguiu medalhas no esporte.

Remo Mais uma vez, o Brasil não ganhou medalhas no esporte. Nas três provas que disputou, o País chegou em duas finais do single skiff. Cláudia Santos e Renê Pereira ficaram em sexto lugar.

Rugby em cadeira de rodas O Brasil segue sem medalhas na modalidade. Perdeu seus três jogos na fase
inicial (Austrália, Canadá e Grã-Bretanha) e depois a disputa do sétimo lugar para a França.

Tênis em cadeira de rodas Com oito atletas, o Brasil não conseguiu a inédita medalha no esporte. Os melhores resultados foram de Daniel Alves e Natália Mayara, que chegaram às quartas de final.

Tiro com arco Outro esporte que segue sem medalhas para o Brasil. O melhor resultado foi com Luciano Rezende, que disputou o bronze, mas acabou na quarta colocação.

Tiro esportivo Com sua maior delegação na história (três atletas), o Brasil teve como melhor resultado o décimo terceiro lugar de Débora Campos.

Triatlo Na estreia da modalidade nos Jogos, o Brasil conseguiu o sétimo lugar com Fernando Aranha, na categoria PT1, e o décimo primeiro com Ana Raquel Lins, na categoria PT4.

Vela O Brasil disputou pela primeira vez as três classes da vela adaptada. No Rio, o melhor resultado foi da dupla Marinalva de Almeira e Bruno Landgraf, da Skud18.

Ouro

(salto em distância, atletismo – T11)

(400 m rasos, atletismo – T20)

(lançamento de disco, atletismo – F54/55/56)

(100 m rasos, atletismo – F45/46/47)

(lançamento de disco, atletismo – F11)

(lançamento de dardo, atletismo – F37)

(salto em distância, atletismo – T11)

(bocha – BC3)

s (200 m livre, natação – S5)

(50 m livre, natação – S5)

(50 m costas, natação – S5)

(100 m livre, natação – S5)

(masculino, futebol)

Prata

s (5 000 m rasos, atletismo – T11)

(100 m rasos, atletismo – T35)

(200 m rasos, atletismo – T35)

(100 m rasos, atletismo – T11)

(200 m rasos, atletismo – T11)

(400 m rasos, atletismo – T11)

(100 m rasos, atletismo – T38)

(salto em distância, atletismo – T36)

(salto em distância, atletismo – T37)

(400 m rasos, atletismo – T45/46/47)

(lançamento de disco, atletismo – F37/38)

(4×100 m masculino, atletismo – T42-47)

(4×100 m feminino, atletismo – T11-13)

(Duplas mistas, bocha – BC4)

(até 100 kg, judô)

(acima de 100 kg, judô)

(até 57 kg, judô)

(até 70 kg, judô)

(Estrada, ciclismo – C4-5)

(até 88kg, levantamento de peso)

(50 m livre, natação – S10)

(100 m peito, natação – SB4)

(100 m livre, natação – S10)

(50 m livre, natação – S5)

(50 m livre, natação – S13)

(natação)

(natação)

(classe 7, tênis de mesa)

Bronze

(100 m rasos, atletismo – T36)

(100 m rasos, atletismo – T45/46/47)

(100 m rasos, atletismo – T38)

(200 m rasos, atletismo – T11)

s (100 m rasos, atletismo – T45/46/47)

(400 m rasos, atletismo – T38)

(400 m rasos, atletismo – T11)

(lançamento do disco, atletismo – F11)

(arremesso do peso, atletismo – F35)

e (salto em distância, atletismo – T11)

(maratona feminina, atletismo – T11/12)

(KL3, Canoagem Velocidade)

(Contrarrelógio masculino, ciclismo – C5)

(Futebol de 7)

(Goalball)

(individual misto, hipismo – grau Ia)

(individual estilo livre, hipismo – grau Ia)

(50 m borboleta, natação – S5)

(100 m costas, natação – S7)

(100 m borboleta, natação – S10)

(100 m livre, natação – S10)

(100 m livre, natação – S5)

(200 m medley, natação – SM6)

(400 m livre, natação – S11)

(4×100 m medley masculino, natação – 34 pts)

(classe 10, tênis de mesa)

(classes 6-10, tênis de mesa)

(classes 1-2, tênis de mesa)

(Vôlei sentado)

22˚ das 528 provas no Rio

Ocupa o Brasil no ranking geral de medalhas das Paraolimpíadas desde 1960, com 88 de ouros, 115 de prata, 103 de bronze e 305 no total

  • O brasil ganhou 14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes – 72 pódios no total
  • E foi ainda 4º lugar em 29 provas; 5º em 23; 6º em 15; 7º em 26; 8º em 16 e chegou nas Quartas de final em 9 provas

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